4 de julho de 2015

ORAÇÕES DURANTE TODA SEMANA=“O meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades” Filipenses 4.19

“Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te ensina o que é útil e te guia pelo caminho em que deves andar” Isaías 48.17











Jesus Cristo diz: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo” João 7.17


“O tempo voa”, diz a sabedoria popular. E é isso mesmo. Entramos no segundo semestre do ano de 2010 e nem o percebemos. Quando a gente vê, o ano acabou. Isto deixa as pessoas meio perdidas, confusas, avaliando a vida e as coisas cada vez com mais detalhes.


Exatamente para dentro desta realidade na qual vivemos se aplica a promessa de Isaías, no primeiro texto deste dia. Entre as limitações mais comuns da vida no dia a dia também está a dificuldade cada vez maior de identificar o que é útil e o que não é. O que vale a pena e o que não. Onde estamos jogando tempo e dinheiro fora em coisas mal aplicadas. Outro dia numa reunião de homens, alguém disse: “mas como saber a vontade de Deus?” Pelo texto de hoje poderíamos dizer que sempre que estejamos em dúvida sobre alguma atitude ou decisão que queiramos tomar ser da vontade de Deus ou não, devemos também perguntar por sua utilidade: Vai ajudar? A quem? Estou convicto disso? É dessa maneira que vamos descobrindo e desvendando os mistérios do querer de Deus que promete, segundo nosso texto de Isaías, “nos guiar pelo caminho em que devemos andar”. Precisamos estar atentos e dispostos a nos deixarmos ensinar. É o primeiro passo.


Para nós, diferentemente do povo do tempo de Isaías, se acrescenta um ingrediente importante a este tema do fazer a vontade de Deus. Temos os ensinamentos e exemplos deixados pelo próprio Filho de Deus, Jesus Cristo. Ele sempre afirmou, como no texto da senha de hoje, que sua maneira de ensinar e viver confirmava seu envio: “Não falo por mim mesmo”. 


Por isso, querer fazer a vontade de Deus hoje em dia também é perguntar pela maneira de viver de Jesus. Como certo escritor bem definiu no título e conteúdo de seu livro: “Em seus passos o que faria Jesus?” 

Muitas vezes nos escondemos atrás de nosso próprio querer e forma de viver para justificarmos determinadas atitudes que não passam pela luz do “Jesus faria isso?” 




O Apóstolo Paulo fala sobre o assunto com a comunidade de Éfeso quando diz que nossas obras devem passar pelo teste da luz, isto é, o que precisa ficar escondido, geralmente começa a ser um sinal da ausência do querer de Deus. 

Confira em Efésios 5.13:


“Mas todas as coisas, quando reprovadas pela luz,

se tornam manifestas; porque tudo que se manifesta é luz”





“Tu, Senhor, abençoas o justo e, como escudo, o cercas da tua benevolência” Salmo 5.12


“Embraçai sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno” Efésios 6.16


Os desenhos animados que nossos filhos e netos assistem e algumas produções de Hollywood, não nos deixam esquecer dos antigos exércitos, onde a força estava no corpo a corpo, de soldados bem aparelhados, com espada, escudo e capacete.


É nesta visão de guerra que vem uma palavra de promessa: “Deus é nosso escudo”. Se observarmos a armadura de um soldado daqueles tempos, o escudo não parece ser algo tão significativo assim. Vejamos na gravura.


Todavia o escudo é versátil. Ele protege as partes mais suscetíveis, principalmente o coração, alvo da espada do adversário na luta corpo a corpo. Faz com que o soldado se sinta mais seguro. É defesa e ataque ao mesmo tempo. Esse é nosso Deus. Ao mesmo tempo em que ele é o escudo que vem em nossa defesa ele também é a espada que luta por nós. Ao mencionar que Ele é o escudo o salmista diz que ele nos “cerca”. É proteção mesmo. E são as ações de bondade de Deus a nosso favor que fazem isso.


Já no texto do Novo Testamento o apóstolo Paulo, usando também a figura do soldado e sua armadura, menciona a fé como o escudo. A expressão é mais forte ainda do que a do salmista. Paulo fala de “dardos inflamados”. Pensamos nas batalhas medievais onde, além do corpo a corpo, da retaguarda o exército também atacava, jogando flechas incendiárias. Assim o exército inimigo, enquanto se preocupava com o soldado a sua frente, voltando para ele o escudo, deixava outras partes do corpo descobertas, que podiam ser atingidas pelas flechas ardendo em fogo, lançadas à distância. É cena de filme mesmo. Paulo traduz isso para a luta diária dos filhos de Deus em se manterem de pé, diante das investidas do inimigo (diabo) e das dificuldades e tentações que o cercam. 

A fé, como escudo bem seguro pelo soldado (embraçado), rebate aquelas flechas que ao caírem ao chão se apagam. Quando oramos no Pai Nosso “não nos deixes cair em tentação”, o que estamos pedindo é que de fato Deus seja o escudo que nos ajude a apagar os ataques desferidos contra nós. Na seqüência desta conhecida oração, dizemos: “mas livra-nos do mal”. De fato estamos falando do Maligno, aquele que desfere estas flechas contra nós. Toda atenção é pouca. Estamos em guerra, mas bem protegidos. Confiemos nisso e sigamos em luta!






“Se observares, Senhor, iniquidades, quem, Senhor, subsistirá?” Salmo 130.3


“Em Jesus Cristo temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” Efésios 1.7

Uma compreensão errônea de perdão é o sentimento de “pouco caso”. Pessoas inclusive dizem: “Pedir perdão é muito fácil. Deveriam pensar nisso antes de errar”. E este pensamento também está certo. Erro e arrependimento. Erro e perdão. É coisa séria sim!

Quando olhamos para o salmo deste dia, podemos ser tentados a pensar que até Deus leva a questão do pecado, “meio na brincadeira”, como se costuma dizer. Mas de fato o que o salmista está fazendo é reconhecendo a bondade e o amor de Deus para com o ser humano. Se ele levasse em conta apenas o que depende de nós mesmos, só veria nossos erros e pecados (iniqüidades). E, sendo um Deus justo, não teria outra opção a não ser nos condenar por isso. Ao fazer esta constatação ele se desespera e chega a dizer: “Então ninguém subsistirá”. Isso de fato é coisa séria. Não dá nem pra dizer que ele esteja, usando um linguajar de nossos dias, “fechando um olho” (ou seriam os dois?). Deus não faz de conta que não vê nossa situação, como nós muitas vezes, fazemos vista grossa diante de uma determinada situação, com medo de encará-la de frente. E vamos empurrando com a barriga. Pelo contrário, Deus “não brinca em serviço”. E com coisa séria Ele quer que nós não brinquemos também. Se Ele nos vê como pecadores e mesmo assim demonstra amor por nós (odeia o pecado mas ama o pecador), nós também deveríamos ser suficientemente sinceros quando erramos, “não varrendo a sujeira pra baixo do tapete”.

A resposta ao que Deus faz quando vê nosso pecado, está no texto do Novo Testamento. Ele nos enxerga através de Cristo. 
Como a luz que se transforma e se tornacolorida, quando passa por um prisma, quando Ele nos vê, entre nós e Ele, está a cruz de Jesus Cristo (nossa redenção). 



E no sangue de sua morte (O cordeiro de Deus, como falamos na reflexão de domingo), está a remissão dos pecados (perdão). Por isso ele não enxerga em nós apenas o pecado, que precisa ser castigado. Ele enxerga o pecador, que precisa ser amado e perdoado. O apóstolo Paulo encerra seu pensamento no texto de Efésios usando uma expressão muito significativa: “a riqueza da sua graça”. Conseguir nos olhar com amor e bondade, é graça de Deus. Esta palavra significa “receber o que não merecemos”. É como Deus age conosco. E isso nos deveria fazer levar a sério o que é sério. Fazer pouco caso do pecado, do mal e de suas conseqüências é, de fato, não levar Deus a sério!

  



“O profeta que tem sonho conte-o como apenas sonho; mas aquele em quem está a minha palavra fale a minha palavra com verdade. Que tem a palha com o trigo?, diz o Senhor” Jeremias 23.28


“Procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse a homens, não seria servo de Cristo” Gálatas 1.10


Já aconteceu com você de ter tido um sonho enquanto dormia e, de repente, acordar com a impressão de que realmente aquilo acontecera? Você liga a luz, olha em volta até se conscientizar que o ambiente em que você está confirma que foi sonho mesmo.


A missão do profeta, no Velho Testamento, muitas vezes o colocava numa situação parecida. Houve muitas ocasiões em que, antes de se dirigir ao povo, eles precisavam tirar estar dúvida, se haviam apenas sonhado ou se era realmente revelação de Deus. E aqui vemos Jeremias tendo que enfrentar não apenas as conseqüências de seu chamado mas seus próprios “colegas”, visto que se levantavam em meio ao povo para aproveitar-se de sua fragilidade, falsos pastores e profetas. Como diz um ditado: “quando a coisa está ruim sempre aparece alguém que pode torná-la pior”, ou, de forma mais popular: “sempre aparece alguém para dar o último empurrão quando a gente está na beira do abismo”. 

O capítulo 23 de Jeremias é uma advertência a este tipo de “aproveitador”, sendo citados, os dois: “os maus pastores” (versos 1 a 4) e os “falsos profetas” (versos 9 a 40). 








Quantas vezes pessoas são iludidas quando, em meio a sua dificuldade, alguém lhes afirma: “Deus me disse”. Quem vai resistir e não se confiar a esta “autoridade”. Quem vai querer correr o risco de estar se voltando “contra a vontade de Deus, transmitida por aquela pessoa”. Eu mesmo já presenciei situações em que pessoas doaram dinheiro, casa e herança, nesta pressão do “Deus me disse” e, até hoje, não recuperam nem sua dignidade nem seus bens. Cuidado com os falsos que confundem seus próprios sonhos com a vontade de Deus e a impõe aos outros.


O próprio apóstolo Paulo lutava com esta dificuldade. Houve muitos lugares em que, por duvidarem de sua procedência e chamado, Paulo precisou contar sua história, confirmar sua vocação e provar ser de fato profeta, enviado de Deus para aquele povo que o ouvia. E como fazer isso sem ser interpretado como soberbo, autoritário e aproveitador. É o caso do texto da senha de hoje. Tinha que estar claro, para ele e para seus ouvintes, que ele era portador da verdade, procurando apenas agradar ao que o chamara, mesmo que não agradasse aos quais fora enviado. Talvez aí esteja uma característica do verdadeiro profeta e pastor, em comparação aos outros. Ele está muito mais ao lado das pessoas que pedem sua ajuda do que “acima delas”. Ele está muito mais com as pessoas que o procuram do que “a frente” apontando com o dedo o que fazer. Se não for assim, tem que dizer como Paulo: “então não sou servo de Cristo”.






“Todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo de imundícia” Isaías 64.6


”O Filho de Deus fez a purificação dos pecados” Hebreus 1.3


Algumas coisas acabam se tornando características de uma época. Parece que nos dias atuais expressões como: “limpar o nome”, “provar inocência”, “ter a ficha limpa”, revelam que estamos vivendo tempos em que o mal está à solta e nem causa mais constrangimento.


Uma das coisas mais difíceis para o ser humano é o reconhecimento de seus erros. É mais fácil maquiar as situações, arrumar desculpas ou colocar as culpas nos outros. Imaginem fazer das palavras de Isaías, no primeiro texto das senhas de hoje, uma prática atual. Quem estaria disposto a olhar para si mesmo, e dizer: “eu sou como o imundo”? E não é apenas o reconhecimento de uma situação. 
Muitos só enxergam o que querem,
nem sempre o que precisam

Ao olhar-se neste “espelho da vida” ele enxerga sua natureza e sua realidade. Não que ele não veja nada certo e se considere de fato um “nada”. Ele encontra “atos de justiça”, como ele diz. Mas todas elas juntas, ao olhar-se naquele espelho, parecem roupas rasgadas (trapos), que revelam esta mesma natureza. O quadro parece muito negativista? Mas de fato não é. O que acontece quando a gente se vê num espelho? A gente tem a chance de se arrumar, limpar uma sujeira, ajeitar a roupa. Mas também pode “deixar assim mesmo”. E esse é que parece ser o problema maior. Além de ser difícil reconhecer seus erros também é difícil querer mudar. 


Já o texto do Novo Testamento aponta para a maneira como Deus mesmo lida com esta situação do ser humano. Por que esconder o pecado se dele podemos ser “purificados”. Pensando que esta palavra aparece no livro de Hebreus, temos que lembrar que a expressão “purificar” é muito importante nas celebrações e na vida religiosa do povo de Deus. 

A oferta de animais fazia parte dos atos de purificação, quando o Sumo Sacerdote, ao aspergir (borrifar) o sangue do sacrifício anunciava o perdão dos pecados. 



Se pensamos nesta prática religiosa, também entendemos porque João Batista, de cuja missão falamos na quinta-feira, dia dedicado a ele, anunciou a vinda próxima de Jesus chamando-o de “O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. De fato, o cordeiro, era o animal nobre nos sacrifícios. E na festa da Páscoa, ocupava o centro do ritual, lembrando o sangue de cordeiro dos sacrifícios ofertados na véspera da saída do povo de Israel do Egito, terminando os 4 séculos de escravidão. 

Naquela Páscoa, que culminou com a morte de Cristo na Cruz, foi ofertado o último cordeiro, que definitivamente, como diz nosso texto de Hebreus, “fez a purificação dos pecados” 


“Vinde, cantemos ao Senhor, com júbilo, celebremos o Rochedo da nossa salvação” Salmo 95.1


“Ao Deus único e sábio seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Amém!” Romanos 16.27


Ontem falamos sobre a “chamada” que vem do livro de Salmos para que “todo o ser que respire louve ao Senhor”. Vimos que, nesse sentido, a natureza, o universo e o ser humano podem fazê-lo, cada um a sua maneira.


Nos textos de hoje, porém, o assunto é conosco. Só o ser humano pode fazer o que a natureza e o universo não podem. Aqui temos uma chamada para um louvor “consciente”. No Salmo o convite é para atender a um convite: “vinde...” A natureza louva a Deus espontaneamente e por instinto. Ela não precisa ser convida para isso. Ela o faz por ser essa sua natureza. Já conosco é diferente. Precisamos estímulos. E não só para o louvor. Para praticamente tudo: para falar, para caminhar, para superar limites, para aprender a praticar um tipo de esporte, para apreciar um tipo de comida e, inclusive, para louvar. Gratidão, reconhecimento, arrependimento, não são qualidades instintivas do ser humano. Elas precisam ser aprendidas. Para elas precisamos de convites: “vinde”. E quando recebemos um convite, temos a possibilidade de aceitar ou rejeitar. Assim também é com o convite do salmista para “cantemos ao Senhor” e ainda mais, “com júbilo”. Quer dizer: fazê-lo com gosto. Uma palavra forte no mesmo texto é “celebremos”. E ele mesmo nos dá o motivo: pela salvação que Deus nos oferece. Poderíamos dizer que motivos não faltam. Mas, nem sempre, estamos tão prontos para isso, seja de forma pessoal e também no louvor comunitário em nossos cultos e encontros, na prática de nossa vida religiosa.


No mesmo espírito o apóstolo Paulo, no texto do Novo Testamento, resume isso numa expressão significativa: “dar glória”. O alvo deste “louvor” é o “Deus único e sábio”. O motivo é o mesmo dado pelo salmista: O Deus que salva. Aqui a salvação está completa, refletida na vida de Jesus Cristo. 
E este louvor passa por todas as épocas e gerações. Como diz o texto de Romanos, “pelos séculos dos séculos". Os discípulos que viveram com Jesus foram os precursores deste reconhecimento, dando glória a Deus pela presença de Jesus com eles. A Igreja Cristã, a partir de Pentecostes, continua esta missão há mais de dois mil anos. Em lugares e situações as mais variadas possíveis, com o evangelho chegando “até os confins da terra”, o louvor e a glória dadas a Deus continuam sendo perpetuadas. Que não pare em nós. Pelo contrário. Que sejamos motivadores às futuras gerações.






“Todo ser que respira louve ao Senhor. Aleluia!” Salmo 150.6


“Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos” Filipenses 4.4


Pela forma inclusiva (todo ser que respira) com que aparece a importância de Deus ser louvado, no texto da senha do Salmo 150, quero hoje olhar com vocês o que, em resumo, encontramos na enciclopédia livre online, Wikipédia, para entendermos o termo “aleluia”. 


Na Sagrada Escritura:


"Aleluia" é uma transliteração do hebraico הַלְלוּיָהּ (Halləluya - hebraico padrão) ou Halləlûyāh (tiberiano). Lendo-se da direita para a esquerda, como se faz em hebraico, a primeira parte da palavra significa "Louvem! Adorem!" ou "Elogio"e a segunda parte da palavra é uma forma abreviada do nome de Deus, Javé. Portanto, aleluia significa "Louvem Deus Javé", ou "Adorem Deus Javé", ou "Elogio a Deus Javé".


A palavra “aleluia” aparece 24 vezes no Velho Testamento, usada para iniciar e/ou concluir os Salmos e aparece quatro vezes no Novo Testamento, no Apocalipse, transliterado em grego como Αλληλούια.


Na Cultura popular: 


"Aleluia" é dita muitas vezes com caráter cômico, quando ocorre algo bom contrário à ordem normal dos acontecimentos, caracterizado como um "milagre". Em filmes, séries e novelas muitas vezes é tocada a primeira parte da canção O Messias de Händel, composta por várias aleluias.

Volto a expressão “todo ser que respira”. A natureza louva a Deus e a gente se admira de sua exuberância. O canto dos pássaros, a beleza das flores, as tantas “sete maravilhas do mundo” que existem, respiram louvores a Deus, o Criador, dizendo “Aleluia”. 
Quem sabe de “todo ser que respira”, os humanos ainda são aqueles que menos o fazem.


O apóstolo Paulo, mesmo sem usar o termo “aleluia”, o interpreta em Filipenses 4.4, como a “alegria” presente na vida de quem reconhece este Deus criador e mantenedor de todas as coisas “que respiram”. É o fato de nos alegrarmos com o próprio Deus e seus feitos, que nos torna alegres, mesmo quando não há motivo aparente para isso. 

Este tem sido e continua sendo o testemunho de muitos, em gerações passadas e na nossa:”A alegria do Senhor, a nossa força é” (Neemias 8.10) ou, simplesmente, ALELUIA!






“Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar” Êxodo 33.15


“Quando vier o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade” João 16.13


“Pula a fogueira Iaiá, pula a fogueira Ioiô, cuidado pra não se queimar... 

Hoje é o dia dedicado a João Batista, na tradição cristã. No folclore brasileiro as tradicionais Festas de São João, levam muitas pessoas a pular fogueira, dançar quadrilha, comer pipoca e batata doce. De fato este é um dos tantos casos em que o religioso se mistura ao folclórico e não se sabe muito bem explicar origens nem motivos. O fato é que eles acontecem e assim convivem. Sem lógica. Simplesmente por que é bonito. 


No texto das senhas do Antigo Testamento vemos um povo preocupado com o futuro, com o caminho a ser percorrido. Apesar da escravidão no Egito, uma certa segurança estava presente naquela situação. Agora, no deserto, rumo à terra prometida, uma certa insegurança se apodera do povo e buscam a certeza da presença de Deus com eles: “Se é pra nos abandonar, porque nos trouxe até aqui”. De um certo modo pode ser também um retrato de nossas vidas. Nem sempre estamos nos sentindo num “porto seguro”. Dúvidas são freqüentes e a ansiedade pode tomar conta. Passamos a nos sentir sozinhos e “perdidos na poeira”, como popularmente se diz. Temos que colocar os pés no chão firme, retomar alguns valores, recuperar a confiança, pedir pela presença divina e então seguir adiante. Esta parece ser a lição deste texto e aplicável aos dias atuais.
João Batista veio com a missão de ser um precursor. Não tinha brilho próprio. Queria apontar para a luz. Com sua curta missão, quis que os olhos de todos se voltassem ao que viria depois dele. Ele o apontava como a verdade. Pagou com a vida por esta identificação com sua mensagem ao pregar o arrependimento como forma das pessoas se prepararem para receber a Jesus Cristo. Nessa verdade Jesus se moveu, ensinou, pregou, curou. 





Chegava agora ao final de sua missão mas a verdade deveria continuar a imperar. Ela deveria trazer confiança aos seus seguidores. Como isso aconteceria? Pela ação do Espírito de Deus: “Ele vos guiará a toda a verdade”. Assim como o povo de Israel se sentia meio “abandonado”, como lemos em Êxodo, agora, ao falar aos seus discípulos a respeito de sua morte, estes também se sentiam “abandonados”. Antes que o medo tomasse conta de seus pensamentos, ele lhes promete que tudo continuaria da mesma maneira como começara com a sua presença. O período de Pentecostes, no qual estamos, nos vem lembrar que não estamos sozinhos. Ele caminha conosco. 






“Ouvi a voz do Senhor que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim” Isaías 6.8


Jesus orou: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” João 17.18


Países têm seus representantes em embaixadas ou consulados. Eles representam uma nação, mesmo que não decidam no lugar dela. Não devem particularizar seus comentários e nem valer-se do cargo em causa própria. Eles aceitam um envio e devem cumprir bem este papel.


Fora estas representações diplomáticas, outras organizações valem-se do mesmo critério. É o caso da Igreja. Ela é embaixadora. Recebeu esta tarefa e missão. Ela se desincumbe desta função através de pessoas, que se deixam chamar e enviar. Por um lado são obreiros, pastores, missionários, diáconos e catequistas que, como no caso de Isaías, precisam responder: “Eis-me aqui”. A prontidão é essencial. A disposição de se deixar enviar também. No caso da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) quem quer servir como obreiro, depois de sua formação acadêmica, deve aceitar o envio. É um aprendizado não ir apenas onde nós queremos. O essencial, porém, é saber-se portar como um embaixador. Uma imposição de sua autoridade pode não fazer jus ao cargo. Uma submissão a liderança comunitária pode revelar falta de personalidade para discutir opiniões, mesmo que contrárias. Isso porque, o chamado não é exclusividade destes obreiros. Martin Lutero insistiu muito no que ele chamou de “sacerdócio geral de todos os crentes” ou, como ele afirmava, “todos somos pastores”, referindo-se a missão dos pais, dos educadores, dos médicos e assim por diante. Sempre há espaço para dizer: “eis-me aqui” e servir.


Na conhecida “oração sacerdotal” de João 17, Jesus também fala de enviou. 





E vejam em que nível ele coloca o tema: “como eu fui enviado eu envio”. Ele chega a comparar a tarefa dos discípulos (e ele não falava apenas dos 12), com a sua. Claro que a missão de Jesus foi mais ampla mas também única. Ele foi o Salvador, o Messias. Ninguém pode ocupar este lugar que é somente Dele. Por outro lado quem continua sua obra, são seus seguidores. E eles, assim como Ele fez, precisam se deixar enviar. Importante também é a abrangência: “o mundo”. Novamente temos que lembrar Lutero quando afirmou: “Minha paróquia é o mundo”. Quer dizer, no espírito de João 17, não apenas os que já estão em meu “curral”, aquelas ovelhas já presentes. Quando Jesus falou em “Ide e fazei discípulos de todas as nações”, estava mostrando o alcance do chamado. Cada um de nós pode fazer parte desta missão. O que precisamos? O que disse antes: prontidão e disposição. Escolha onde servir e assuma tarefas que você sabe e gosta de fazer. Pense nos dons e capacidades que recebeu. Ninguém sabe fazer tudo. Assim também não há quem não saiba fazer nada.






“Desfalece-me a alma, aguardando a tua salvação; porém espero na tua palavra” Salmo 119.81


Jesus Cristo diz: “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito” João 15.7


Sabemos que a falta de paciência é uma das características da maioria dos seres humanos. Principalmente nos dias agitados nos quais vivemos. Apertamos o botão e parece que o elevador nunca chega. Ligamos para alguém e ficamos dizendo: “Vamos, atende logo... que demora”, só para citar alguns exemplos.


O salmista, numa realidade muito mais tranqüila do que a dos nossos dias, também parece começar a perder a paciência, ou melhor dizendo, a esperança. Ele diz: “me desfalece a alma”. Diríamos: “não agüento mais esperar”. Como quando marcamos um encontro com alguém e a outra pessoa se atrasa. Sem sabermos os motivos, ficamos olhando para o relógio e nosso pensamento é: “Vou esperar mais uns minutos. Se ele não vem, to indo...”. No meio das situações difíceis da vida, o salmista pede pela ajuda de Deus, por sua salvação. Mas ela não vem num “estalar de dedos”, um num assovio, como fazemos pra chamar os cachorros. O tempo de Deus nem sempre combina com o nosso. Os desígnios de Deus nem sempre fecham com os nossos. O querer de Deus nem sempre é igual ao nosso. Estamos numa área de conflito. Ou não? Quando o autor do salmo 119 parece estar chegando ao desespero, entra uma palavrinha importante: “porém”. Apesar da demora ele continua esperando. Ele tem as promessas da palavra de Deus para saber que, mais cedo ou mais tarde, a resposta virá. E ele renova a esperança.

Jesus usa uma palavra muito parecida em significado: “permanecer”. 
No texto de João 15, ele usa a ilustração da videira. Ela precisa ser plantada no tempo certo, precisa de podas no tempo certo. Precisa de cuidados e, mais importante do que tudo isso, os galhos precisam “permanecer” ligados a planta. 
Pra quem tem algum tipo de planta em seu jardim ou quintal sabe como é: às vezes da vontade de “ajudar” e puxar a plantinha do chão pra que cresça logo e para que possamos desfrutar dos resultados e saborear seus frutos. Mas não adianta. A única coisa que podemos fazer é cuidar da planta, protegê-la do frio e da geada, escorar seus galhos para que não quebrem e “permaneçam”. De fato nisso está o segredo. Temos frutíferas onde moramos e, muitas vezes, acontece que por um vento forte, as flores que deveriam virar frutos, acabam caindo e não dão em nada. Por quê? Porque não permanecem. E não estando mais ligadas à planta, não vingam. Onde está então o segredo, pergunto de novo? No permanecer. Na paciência. No cuidado. Na expectativa. Na confiança. Na esperança. Que saibamos tirar, também da natureza, as lições que ela pode nos ensinar.






“Tu, Senhor, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em ti” Isaías 26.3


“Aquele que nos confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus” 2 Coríntios 1.21


Estar convicto de algo pode significar uma força para alcançar os alvos que colocamos na vida, como falamos no dia de ontem. Por outro lado, a falta de convicção, nos torna frágeis e vulneráveis diante de determinadas situações, podendo nos levar a desistirmos de um propósito.


A expressão usada por Isaías, na senha do Antigo Testamento para o dia de hoje, vai nesta direção, quando ele fala em “propósito firme”. A causa desta firmeza está na confiança depositada em Deus. Nem sempre a auto-confiança alcança este mesmo objetivo. O resultado desta firmeza é sentir-se em paz. É interessante notar como, na maioria das vezes, onde nos sentimos inseguros e vacilantes, por exemplo, diante de uma decisão a ser tomada, também nos sentimos intranqüilos, sem paz. Se estamos sinceramente querendo cumprir a vontade de Deus, como fruto de nossa confiança Nele, temos que pedir também que Deus mesmo nos dê a paz interior, como convicção de estar fazendo a coisa certa. Por outro lado, que ele não nos deixe ficar em paz, se estamos cometendo um erro e nos desviando de seus propósitos. Sempre é bom dar uma avaliada em nossas convicções e em que valores nos baseamos para agirmos como agimos. 
Ruínas da cidade portuária de Corinto


No texto de 2 Coríntios o apóstolo Paulo inicia sua segunda carta tendo que mostrar sua convicção de ter sido chamado por Deus, feito apóstolo, pois alguns duvidavam desta sua condição e não o aceitavam como tal. Por amor ao evangelho que pregava, ele se enche de convicção deste chamado, e tenta convencer seus leitores disto. Bem que ele gostaria de ir pessoalmente vê-los, mas não sendo possível, espera que recebam sua palavra escrita como um recado de Deus. É interessante ver nos versículos anteriores a senha de hoje (v.21), estes argumentos que Paulo apresenta, mostrando sua confiança em Deus (v.15), falando o melhor para eles, de consciência limpa (v.12) e sem leviandade (v. 17). É na apresentação destes argumentos que ele espera chegar a esta comunidade, a quem já havia escrito uma primeira carta, e mesmo assim os problemas de vivência e convivência ainda eram muito difíceis. 


Ele tem certeza que o mesmo Deus que o encontrou e salvou também o chamou e enviou e, por isso mesmo, o ungiu. Disso ele está convicto. E isso lhe dá coragem para dizer o que precisava, mesmo que não fosse fácil fazê-lo. Então, convém lembrar: Suas convicções lhe indicaram o rumo e foi baseado nelas que agiu. 






“Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guie-me o teu bom Espírito por terreno plano” Salmo 143.10


“Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus” Filipenses 3.12


O ser humano vive da superação de desafios, de conquistas. Assim é desde pequeno. Já quando começamos a engatinhar. Aprender a empurrar as perninhas e firmas os braços, movendo as mãozinhas pra frente. Depois é caminhar, correr, e sabemos como a coisa vai.


Mas sabemos também que, nestas lições de vida, nem sempre tudo é “terreno plano” como lemos no Salmo de hoje. Talvez seja exatamente por isso, pelos caminhos tortuosos que a vida muitas vezes nos reserva, que a oração do salmista pede por sabedoria, para que aprenda a fazer a vontade de Deus. Este conhecimento da vontade divina se apresenta como um “terreno plano” por onde o Espírito de Deus pode nos guiar. 
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As dificuldades do caminho fazem com que alguns desistam 

É muito interessante esta figura de caminho tortuoso e caminho plano. Outro dia ainda falamos do “mar de rosas”, lembram? Assim como naquela ilustração são os espinhos que nos machucam, aqui são os caminhos difíceis que nos podem cansar e, até mesmo, fazer desistir. E então, antes de pensar que a vida é uma conquista baseada no esforço próprio, somos lembrados que é uma questão de buscar a força, ajuda e orientação da vontade de Deus.


O texto de Paulo aos Filipenses, na senha do Novo Testamento, parece derrubar esta afirmativa do Salmo 143. Podemos, num primeiro momento, entender um apóstolo altivo, dono de si e dos seus atos, pronto para superar qualquer obstáculo e seguir rumo as suas conquistas. Ainda mais quando ele fala em “alcançar a perfeição”. Ainda bem que ele diz que não a alcançou. Por outro lado ele também afirma que a sua caminhada é em direção a um alvo. 
Não basta ter metas. É preciso conquistá-las!

Ele fala em “prossigo”. E o que ele quer alcançar? Ele quer conquistar o que o conquistou. Se pensarmos no Salmo, ele busca a Vontade de Deus. Por esta mesma vontade ele foi achado e colocado no caminho de Deus. De perseguidor passou a seguidor. De contra passou a ser a favor. Esta mudança na sua vida o conquistou. Agora ele quer conquistar outros e “persegue” este caminho. Por gratidão a quem o salvou. Por amor aos outros. E assim se torna inspirador não apenas aos Filipenses e outros cristãos pra quem escreve suas cartas, mas também para nós, nos dias atuais, quando passamos por nossos desafios e caminhos tortuosos. Importante é ter metas e procurar conquistá-las, deixando-se guiar pela vontade divina


“Estou sempre contigo, tu me seguras pela minha mão direita” Salmo 73.23


Jesus Cristo diz: “Meu Pai, que me deu as minhas ovelhas, é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. Eu e o Pai somos um” João 10.29,30


Em praticamente todas as pesquisas que nos últimos anos tem sido feitas para detectar as maiores preocupações das pessoas, principalmente nas cidades, a falta de segurança tem sido a número um. Cidades inseguras, pessoas inseguras. Medo, isolamento, reclusão.


Estamos longe dos tempos poéticos dos Salmos (algo para ser cantado), mas não tanto que não possamos fazer deles orações que nos sustentem ainda nos dias de hoje. E, ao contrário das pesquisas dos tempos modernos, “confiança” é um dos temas centrais do livro dos Salmos. E esta confiança, em textos como o do dia de hoje, baseada nas promessas do próprio Deus. A figura “me seguras pela mão direita”, me faz pensar numa cena bastante caseira e comum, ainda nos dias de hoje. 

É a da criança, segurando na mão do pai ou mãe, ou de ambos, para atravessar a rua. Nesta situação ela se sente “segura”. Não importa quantos carros estejam trafegando pra cima e pra baixo, nem o barulho das buzinas, nem aquela gente toda, empurrando e andando com pressa. Ela simplesmente está, “segurando a mão de alguém em quem confia”. O resto é detalhe. Sei que é demais pedir que se pense na vida desta forma. Mas por que fazemos exatamente o contrário? Andamos sozinhos, não queremos nenhuma mão segurando a nossa, pois atrapalha, tira a liberdade, incomoda. E depois nos queixamos de solidão, stress, fobia, etc. e etc. No fundo só estamos colhendo o que plantamos.


Num dos textos mais bonitos do Novo Testamento, o capítulo 10 do Evangelho de João, quase um salmo, o do Bom Pastor, depois de falar do relacionamento entre o pastor e as ovelhas, num clima de segurança (aprisco, pastor que cuida) ele usa a mesma ilustração do Salmo 73, dizendo que quem crê, está seguro nas mãos do Pai. E acrescenta: Ninguém a poderá arrancar (arrebatar) daquela mão. Este clima de confiança esta baseado em afirmações que recheiam o capítulo 10 de João: ouvem a minha voz, entram e saem pela porta do aprisco, são levadas para as águas frescas e pastos verdejantes, me conhecem, eu as chamo pelo nome. 

Sem esta relação próxima com o pastor, a ovelha não pode experimentar o “clima de segurança”, tão forte, que diz que ela se mantém, também quando se aproxima o lobo. Acho que não estou errado se tomo esta expressão (lobo) para ilustrar tudo aquilo que tira de nós a tranqüilidade e a confiança, impondo medo e ansiedade. A figura do lobo, num rebanho de ovelhas, é o fator número um para deixá-las alvoroçadas, balindo e agitadas. E aí entra em cena o Bom Pastor. E com isso o quadro está completo. A segurança que a criança sente segurando na mão do adulto é a mesma da ovelha no colo do pastor.







“Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou” Gênesis 1.27


“Em Cristo ele nos escolheu antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele” Efésios 1.4

Existem temas que dividem opiniões e se firmam nas chamadas “teorias”. Elas dizem respeito aos mais variados assuntos: relacionamento humano, natureza, sistema solar, investimentos, câmbio... teorias e mais teorias. Mas nenhuma delas tem criado maior curiosidade do que as diferenças básicas entre a do “criacionismo” e do “evolucionismo”.

O texto do Antigo Testamento é a descrição clássica do relato da criação no livro de Gênesis, na primeira versão, sendo que há uma segunda forma descritiva no capítulo 2. Talvez uma das dificuldades no aceitar a criação, está no fato de olharmos apenas para o passado, como um evento único. Martin Lutero tenta corrigir este engano de interpretação na sua explicação sobre o primeiro artigo do Credo Apostólico, da Criação, quando diz: “Creio que Deus me criou junto com todas as criaturas, e me deu corpo e alma, olhos, ouvidos e todos os membros, inteligência e todos os sentidos, e ainda os conserva”. Aí está uma primeira grande verdade da criação. Ela aconteceu (evento) e ela continua acontecendo (processo). Cada dia Deus continua criando, como Lutero continua explicando, concedendo cada dia tudo de que precisamos para o corpo e a vida: “me dá roupa, calçado, comida e bebida, casa e lar, família, terra, trabalho e todos os bens”. Esta não é apenas a verdadeira “teoria da criação”, mas sua prática. Já com relação à evolução, alguns problemas que levanto: Se uma espécie evoluiu, porque ela continua existindo? Se o mundo surgiu de um “boom”, de onde surgiu o material existente para fazer o “boom”? Aliás, se o homem evoluiu do macaco, de onde veio o macaco e, de novo, porque ele continua existindo. Vejam que o criacionismo não nega o evolucionismo, pois este é inerente a algumas espécies. 
Um exemplo é a lagarta que vira borboleta. Mas a partir daí não existe mais lagarta. 
Algumas manobras evolucionistas são mais difíceis de serem cridas do que o relato criacionista. 

Mas profunda ainda é a “teoria da criação” do novo ser, do ser interior, da “nova criatura”, como descreve o apóstolo Paulo em II Coríntios 5.17. O podermos ser estas novas criaturas, sermos feitos filhos e filhas de Deus, de acordo com o texto do Novo Testamento na senha de hoje, vem de “antes da fundação do mundo”. A salvação do mundo através da vinda de Cristo foi “assunto pensado”, digamos assim. Mais do que uma teoria, portanto. E assim como a primeira criação, esta segunda também não está presa ao passado. Ela continua acontecendo. É o que Paulo diz em Efésios 1.4 e que está no terceiro artigo do Credo Apostólico, da Santificação, como explica Lutero: “O Espírito Santo me chamou pelo Evangelho, iluminou com seus dons, santificou e conservou na verdadeira fé”. Crer e continuar crendo. Desde antes da fundação do mundo até o “ultimo dia”. É a criação e a evolução definitiva. Novos corpos, nova vida e o que existe já não existirá mais.




“Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando, pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti” Isaías 43.2


“O meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades” Filipenses 4.19

Conhecemos muito bem a expressão “mar de rosas”. Imaginamos, ao ouví-la, uma vida sem problemas, só alegria, tudo é festa e assim por diante. Em realidade sabemos que não é bem assim. Como diz outro ditado: “se tem rosas também tem espinhos”.


Todos gostaríamos que a vida fosse um mar de rosas!

Se levarmos ao pé da letra a palavra do profeta Isaías no capítulo 43, verso 2, senha para este dia de hoje, podemos nos dar mal e, pra ser bem literal, nos afogarmos ou queimarmos. Promessas na Bíblia às vezes tem um duplo sentido. No capítulo anterior (42), Isaías anuncia a vinda do profeta do Novo Testamento, João Batista. O povo do tempo de Isaías deveria receber esta palavra sua como de conforto para as situações difíceis por que passavam e ainda passariam. Por outro lado era um anúncio messiânico, apontando para àquele que viria para salvar. O verso 11 do mesmo capítulo 43 diz: “Eu, eu sou o SENHOR, e fora de mim não há salvador”. Quando pensamos na palavra “salvar” ou “salvação”, pensamos estaticamente, como algo do passado, um evento ocorrido. Pensamos na cruz e ponto final. Mas “salvação” é mais amplo. Podemos falar de passado, presente e futuro: “Fomos salvos, estamos sendo salvos e seremos salvos”. 

Quer dizer que, muito mais do que um ato, é um processo. E isto combina com a descrição de Isaías, tanto quando estamos num “mar de rosas” como quando os espinhos nos machucam.

Tendo passado por muitas situações difíceis, chegando a dizer que Deus “lhe pôs um espinho na carne”, o apóstolo Paulo buscou e encontrou esta presença divina que o marcou, guiou e confortou. Tanto que ele o chama de “O meu Deus”. Esta sua experiência ele queria ver cumprida também na vida de seus irmãos e irmãs na fé. Por isso, escrevendo aos Filipenses, ele pede que confiem na bondade deste Deus, sabendo que ele “suprirá todas as necessidades deles”. Assim como ele personaliza sua relação com o Senhor (meu Deus), personaliza a ação de Deus na vida de seus leitores (cada uma de vossas necessidades). Como alguém disse certa vez: “Nada é tão pequeno que não mereça ser levado a Deus e nada é tão grande que não possa ser levado a ele”. Quer dizer: “Tudo é importante para Ele”.
Assim também vale a promessa para nossos dias. Quando estamos vivendo dias de “mar de rosas”, vamos nos alegrar e agradecer. Quando os espinhos destas mesmas rosas (decepção, desgosto, desilusão, desânimo) nos machucarem, vamos nos firmar na fé e pedir, “por cada uma de nossas necessidades”. 



“Sou eu que falo em justiça, poderoso para salvar” Isaías 63.1


O apóstolo Paulo escreve: “Alcançando socorro de Deus, permaneço até ao dia de hoje, dando testemunho, tanto a pequenos como a grandes” Atos 26.22


Quando alguém vai servir de testemunha e é intimada pela justiça para isso, supõe-se que ela tenha coisas importantes a dizer, a favor ou contra determinada situação, tendo sido chamada para tal. A tradicional pergunta: “promete dizer a verdade, nada mais que a verdade?” quer comprometê-la com isso.


O que temos nas páginas da Bíblia, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento são, na sua maioria, testemunhos. Experiências de vida. Pessoas que presenciaram acontecimentos e os relataram adiante. Alguns falaram do que ainda iria acontecer (profecia futurista), outros, baseados em acontecimentos já ocorridos, trouxeram lições e com elas tentaram transformar pensamentos e sentimentos, do erro ao arrependimento, da culpa ao perdão, da justiça para a injustiça, do ódio para o amor.


O próprio Deus se compromete com isso quando, através de Isaías, vem anunciar justiça e salvação. Estas duas verdades andam juntas. Deus salva por que é justo. O problema do ser humano é querer fazer sua própria justiça, a partir de sua própria interpretação dos fatos. Muitas vezes avaliamos uma situação e dizemos: “Mas isto é uma injustiça”. Nem sempre. Depende do ângulo do qual analisamos a situação.


O livro de atos dos Apóstolos no Novo Testamento, de onde vem a senha deste dia, é um livro de testemunhos. Ali estão os últimos momentos de Jesus aqui na terra, o início da Igreja, as obras dos discípulos, o chamado de Paulo e suas viagens, expandindo o evangelho, dentro da última ordem dada por Jesus, chamada de “A Grande Comissão”, qual seja, de dar testemunho a todas as nações. 
As viagens do apóstolo Paulo foram testemunhos vivos da ação de Deus

É assim que Paulo entende seu ministério, por isso ele diz que “segue dando testemunho”. A história na qual embasava suas mensagens nos lugares em que chegava, era a da cruz e da ressurreição de Jesus e de seu próprio chamado e envio. Contar a sua própria história com Deus, foi marcante em muitos dos lugares por onde passou. Assim ele aponta para a importância do testemunho cristão, onde nos basta “dizer a verdade, nada mais que a verdade”, como lemos no início. O tema da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) para 2010 é “Missão de Deus, nossa paixão”. No cumprimento desta missão nem todos vão ser pregadores, evangelistas, pastores. Mas todos podem ser testemunhas e fazer com que o evangelho chegue a todos os lugares. Isso é Missão. Isso é certamente verdade!






“Moisés estendeu a mão sobre o mar, e o Senhor, por um forte vento oriental que soprou toda aquela noite, fez retirar-se o mar” Êxodo 14.21


“Pela fé, atravessaram o Mar Vermelho como por terra seca” Hebreus 11.29


Algumas das produções do mundo do cinema, para dizer Hollywood, se tornaram famosas e tem sido recriadas com novos artistas, do preto e branco ao colorido, do filme de rolo ao DVD, do analógico ao digital. Por quê? Pelo seu conteúdo. É o caso dos “10 Mandamentos”.


Uma das cenas mais impressionantes desta película é exatamente a dos textos bíblicos deste dia de hoje. No primeiro o relato do episódio na sua “versão original”, como dizem dos filmes. Depois da luta de Moisés para conseguir demover o Faraó para que deixasse o povo sair do Egito rumo á terra prometida e sem sucesso, ele mesmo é mensageiro do castigo divino na forma das 10 pragas que sobrevieram sobre aquela nação. Mesmo assim, tendo deixado que o povo de Israel saísse, o Faraó busca vingança e manda que seu exército os persiga. Aí acontece o “sinal maior”. Como falamos ontem sobre Abrão, agora é a vez de Moisés mostrar sua confiança Naquele que o chamou para a missão. 


Mão estendida sobre o mar até que as águas se abrem, fruto de um vento que soprou a noite toda. 




Interessante que na ação de Deus, sempre aparecem os elementos da natureza. Algo que Deus usa para operar seu milagre. 



A história vai se repetir com Jesus nos textos descritos nos Evangelhos. Seus milagres também envolvem aspectos humanos, conforme a situação: descer ao tanque de água, fazer barro com a saliva, mostrar-se ao sacerdote, pegar as muletas e caminhar, baixar o doente pelo telhado da casa. Poderíamos nos perguntar: Se Deus tem o poder de abrir o mar, fazer o paralítico andar e o cego ver, por que estes elementos frágeis, humanos? Penso que é para mostrar que a fé e a obediência andam juntas. No texto de Hebreus é pela fé que eles atravessam o mar, em obediência a ordem de Moisés. A fé motiva, a obediência faz. A fé move os corações e sentimentos, a obediência move os pés e eles vão em frente. A fé deixa para trás a escravidão, a obediência revela à frente, a terra prometida. Nesta perspectiva este momento da história do povo de Deus não é apenas inspirador dos famosos produtores cinematográficos, mas é inspirador também para que prossigamos, até o fim, o trilhar do caminho que está adiante de nós. É a fé que cria perseverança. É a fé que renova a esperança.






“O Senhor disse a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei” Gênesis 112.1


“Foi pela promessa que Deus concedeu a herança gratuitamente a Abraão” Gálatas 3.18


A confiança é um sentimento que nos impulsiona a fazer coisas que não faríamos sem ela. Como a criança que se joga de cima do muro nos braços do pai ou da mãe, sem medo de cair e se machucar. Mas esta confiança tem quer ser conquistada.


As histórias da Bíblia são, em grande parte, relatos de experiências de confiança que pessoas fizeram na sua caminhada com Deus. O personagem dos dois textos de hoje já é conhecido nosso de uma reflexão anterior: Abrão ou Abraão, com seu nome já alterado, pela promessa de que se tornaria o precursor de uma grande nação.


Destaco no texto de Gênesis a palavra “sair”. Toda experiência de confiança começa com este sair. Para que dois amigos criem confiança um no outro, inclusive nas confidências, eles têm que sair da individualidade e tentar compreender o outro, ouvindo, guardando segredos. Para que um casal confie um no outro, sem ciúmes e de forma incondicional, precisam sair do “eu” para o “nosso”. E assim acharemos outros tantos exemplos onde a as experiências são diferentes mas este ingrediente do sair é comum a todos.


Abrão precisou sair e deixar para trás o que lhe era mais caro na época: terra, família e parentes. O casal, confiando um no outro, seguiriam agora juntos, confiando naquele que os chamara para esta missão. E só podia existir uma relação de confiança com o seu Criador e Senhor, para que “deixando tudo” seguisse para “a terra que te mostrarei”. 
A confiança também carrega uma dose de "risco"


O texto de Gálatas, muito mais tarde, traria esta experiência como um exemplo de alguém que confia nas promessas e se entrega a elas. Eles se tornaram herdeiros de uma promessa. Esta também é uma expressão muito forte: “herança”. Ao contrário da confiança que é conquistada, uma herança é presente, é doação e ao mesmo tempo um direito. Para que alguém não queira dar a herança a qual o outro tem direito, precisa “deserdá-lo”. Sabe-se que acontecem casos em que por brigas entre pais e filhos ou entre irmãos, alguém é deixado de fora de um testamento ou de uma partilha de bens. E quando isso acontece se quebra a confiança entre as partes, ou por ter sido ela quebrada anteriormente, tal atitude é tomada.


O exemplo de Abraão é um estímulo para nossa caminhada de fé. Não temos motivos para perder a confiança em Deus. Pelo contrário, temos motivos para aumentá-la. Deus mesmo nos dá estes motivos. É só olhar para nossa própria vida e ver tudo que já passamos para dizermos: “Deus tem sido fiel em suas promessas!”





“Não adulterarás” Êxodo 20.14


“Digno de honra entre todos seja o matrimônio” Hebreus 13.4


Tem assuntos que a gente sempre é orientado a “lidar com cuidado”, para não ofender. Uma espécie de “polimento” ao falar sobre isso ou aquilo. Geralmente esta orientação é dada para evitar choques de opiniões contrárias, onde as partes precisam ser ouvidas e respeitadas.


Os dois textos de hoje, falando de um mesmo assunto, não parecem estar revestidos deste “polimento”. Eles são diretos. Como diria o gaúcho: “curto e grosso”. E olha que o assunto é delicado e as opiniões, sem limites. Especialmente pela liberalidade de nossa sociedade, pela perda de referências e pela leviandade com que certos assuntos são tratados. Há não muito tempo atrás, quando se falava de adultério, sempre se pensava no homem como aquele que trai, que “pulou a cerca” e a mulher sempre de vítima. Sabemos que numa sociedade ainda bastante machista, talvez ainda seja assim. Mesmo assim, infelizmente, sabe-se que hoje este “triste privilégio” não é mais exclusivo do homem. Segundo pesquisa do Ministério da Saúde em 2009, 16% dos que namoram ou são casados traem, o que significa cerca de 10 milhões de brasileiros “pulando a cerca”. Na mesma pesquisa o número maior é de homens (21%) mas as mulheres não ficam muito atrás (11%).


O texto do Velho Testamento, Êxodo 20.14, faz parte do que temos chamado de 10 mandamentos. E não tem meio termo: “não adulterarás”. Significa: “ser fiel”. Infelizmente hoje em dia fica inclusive difícil definir o que é adultério. Assim como é difícil definir “união estável”, “sexo seguro”, “casal”, “família”. As variantes são tantas e aceitas pela sociedade. As exceções são mais do que as regras. Mas o mandamento ainda é o mesmo. Para o nosso próprio bem!
A fidelidade é ingrediente indispensável numa relação estável


O texto do Novo Testamento tenta valorizar o mandamento do adultério, considerando que a união matrimonial deve ser considerada uma honra. Como se dizia há não muito tempo atrás: “de tirar o chapéu”. O texto subseqüente em Hebreus completa: “bem como o leito sem mácula”. O ato mais íntimo e significativo na vida de um casal, não deve acontecer num clima de desconfiança, medo e insegurança. Deve haver respeito mútuo, consideração e fidelidade. Nos casamentos que tenho realizado, não tenho mais usado a pergunta tradicional do “até que a morte vos separe”, tão banalizado nos dias atuais. Falo com os casais sobre isso. Geralmente na troca de alianças usamos: “Prometo amá-la (o), honrá-la (o), respeitá-la (o) e ser-lhe fiel, todos os dias da minha vida”. Geralmente os noivos dizem estas palavras um ao outro ao invés do pastor perguntar e eles simplesmente responderem com um seco: “Sim”. Neste “ser fiel” está o mandamento, o amor, o compromisso, o desejo, a confiança. Isso é que conta. Para o nosso próprio 

DIA DO PASTOR
Agradeço as manifestações de carinho dos amigos pela passagem deste dia. Em cartão que recebi logo cedo de minha esposa, leio: "Parabéns pelo Dia do Pastor. Que Deus te conserve com muito empenho no trabalho D'Ele para continuares transmitindo a Palavra de Deus a outros" - 2 Timoteo 2.1-2
Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus. 
E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste,
confia-o a homens fiéis, que sejam idoneos
para também ensinarem os outros.



“Jacó disse: Levantemo-nos e subamos a Betel. Farei ali um altar ao Deus que me respondeu no dia da minha angústia e me acompanhou no caminho por onde andei” Gênesis 35.3

“Por meio de Jesus, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome” Hebreus 13.15

Uma das características das religiões parece ser o desejo de agradar aos deuses. E cada uma encontra sua maneira de fazê-lo. Também os pagãos, sem terem um destino específico de sua adoração, oferecem sacrifícios e desejam agradar alguém.

Nas páginas da Bíblia transparece a mesma preocupação. Está na natureza do ser humano a pergunta pelo divino e como agradá-lo. Por trás disso tudo também está uma ponta de preocupação com o futuro, principalmente a eternidade. O senso de justiça do ser humano faz com que ele queira “pagar” por tudo. A sabedoria popular também vai nesta direção com expressões como: “Deus te pague” ou, negativamente, “Você me paga!”. No lugar onde moro é muito comum, na vinda pra cidade, alguém pedir carona e, na saída do carro, a tradicional pergunta: “Quanto lhe devo”, quer dizer, tem que pagar, mesmo que seja só pra ouvir a tradicional resposta: “bem capaz!”

Para agradar a Deus, porém, só uma coisa é pedida ao ser humano e Jacó a descobriu. Reconhecendo o amor de Deus por ele e todo seu povo, ele LOUVA e AGRADECE. Ele vai a cidade de Betel, em hebraico (בית אל)(Bêṯ-ʼĒl) pode se escrito também Beth El ou Beth-El, significa literalmente "Casa de Deus". Lá ele levanta um altar em gratidão: “Deus respondeu minha oração e me livrou da minha angústia e me acompanhou no caminho por onde andei”.

Nesta foto, Et-Tell está no centro, tendo a cidade de Betel acima

Antes de tentar “pagar” a Deus (sempre ficaremos devedores), precisamos praticar a gratidão e o louvor a Deus.

A expressão do livro de Hebreus é ainda mais convincente: “Oferecer a Deus sacrifício de louvor”. As cerimônias judaicas eram marcadas por sacrifícios. Estas ofertas de animais, queriam simbolizar o reconhecimento da presença e sustento de Deus. Na própria Festa da Páscoa, o cordeiro sacrificado, lembrava a saída da terra fo Egito após mais de 400 anos de escravidão. Agora, com a oferta do “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, o único “sacrifício” que ainda é necessário, é o do louvor, segundo o texto do Novo Testamento para este dia. De fato, antes de querer pagar a Deus ou tentar conquistar alguma coisa dele, é preciso chegar-se a ele em gratidão. Deus faz, o ser humano recebe. Deus nos busca e nós nos deixamos achar. E então louvamos e agradecemos. Ou acha que tentando “pagar sua dívida” você vai longe?





“Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios” Isaías 6.5


“O centurião enviou amigos até Jesus para lhe dizer; Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres em minha casa” Lucas 7.6


Há pessoas que se sentem diminuídas e, por causa disso se isolam. Outras se sentem assim, por considerarem-se incapazes para uma determinada tarefa ou para estarem com determinadas pessoas em determinado lugar e, por causa disso se anulam.


Os dois tipos de pessoa são protagonizados nos textos bíblicos de hoje. No Velho Testamento temos Isaías sendo chamado para sua missão de profeta. Ele reage negativamente, achando-se incapaz para a tarefa. A maneira de descrever sua situação é interessante: “Ai de mim! Estou perdido!” Em outras palavras: Se esta obra depender de mim, não irá adiante. Como sua missão seria anunciar a Palavra de Deus, seu problema começa pelos lábios. Ele sabia que seria portador de verdades eternas e, para isso, se considerava “homem de lábios impuros”, cercado por gente igual a ele. A ele parecia que esta sua situação não combinava com o chamado. Quer fugir. Arrumar desculpas. Esquivar-se. Por outro parecia sincero. Reconhece seu despreparo e se declara incapaz.


No Novo Testamento vemos o outro personagem. Ele se isola por considerar-se indigno. Seu filho estava doente, correndo risco de vida. Sabe que Jesus teria uma palavra boa para ele e poderia curá-lo. Apesar de sua posição de liderança (Centurião = encarregado de 100 soldados), diante do que ouvira falar de Jesus, sentia-se menor do que qualquer súdito seu. Sua fé não o impede de crer que Jesus tinha a solução para seu problema. Seus sentimentos, porém, o impedem de ir pessoalmente falar com Jesus ou de convidá-lo para vir a sua casa. A expressão ”não sou digno”, mostra como ele se via. 


Como disse no início, ambos retratam personagens de nossos dias, pois é assim que muita gente se sente, sozinho na multidão, deixado de lado pelo preconceito ou desconsideração. Nos dois textos bíblicos, apesar de seus limites, ambos tiveram histórias de “final feliz”: Isaías se tornou profeta e o centurião teve seu filho curado só pela palavra de Jesus. Esta pode ser uma palavra de ânimo para muitas das situações pelas quais nós passamos e, quem sabe, nos identificamos com Isaías ou com o Centurião. Ao invés do isolamento, envolvimento. Ao invés da reclusão, inclusão. 


Uma canção que ilustra bem esta mudança tem a letra que segue e pode ser acompanhada no YouTube nos endereços: http://www.youtube.com/watch?v=WJpW9_TXJxg&feature=related  ou http://www.youtube.com/watch?v=fvl1ohnY020  




Entra Na Minha Casa
Regis Danese


Como Zaqueu
Eu quero subir
O mais alto que eu puder
Só pra te ver
Olhar para ti
E chamar sua atenção para mim


Eu preciso de ti senhor
Eu preciso de ti, oh pai
Sou pequeno demais
Me dá a tua paz
Largo tudo pra ti seguir


Entra na minha casa,
Entra na minha vida
Mexe com minha estrutura
Sara todas as feridas
Me ensina a ter santidade
Quero amar somente a ti
Porque o senhor é o meu bem maior
Faz o milagre em mim..




Terça, 08 de junho de 2010 


“Vinde, e unamo-nos ao Senhor, em aliança eterna que jamais será esquecida” Jeremias 50.5


“É por intermédio de Cristo que temos tal confiança em Deus; o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança” 2 coríntios 3.4,6


A palavra “aliança” é muito usada na Sagrada Escritura e em épocas diferentes. Muitas vezes está relacionada a acordos humanos, entre reis e povos, outras vezes no compromisso de Deus com seu povo e vice-versa. Hoje se tornou uma palavra política, definindo os apoios dados e recebidos pelos diferentes partidos e candidatos. Neste ano eleitoral, ela será muito citada, com certeza.


Alianças existem para fortalecimento. Empresas se juntam, bancos somam seus capitais e clientes para serem mais fortes e conseguirem competir no mercado financeiro. O profeta Jeremias entende que fazer aliança com Deus também fortalece. Principalmente na situação que o profeta encontrou, falando a um povo de coração duro (ele disse, "de pedra"), fazer aliança com Deus poderia ser o início de uma nova época, para os indivíduos e para a nação como um todo. A razão desta atitude está no fato de Deus ser fiel cumpridor de seus compromissos. Isto significa fazer uma aliança segura, coisa que em termos humanos nem sempre é uma garantia. 

Muitas alianças acabam em nada pela falta de confiança e pelo não cumprimento de acordos estabelecidos entre as partes. Mas a aliança, o compromisso assumido diante de Deus, se torna eterno e não cai no esquecimento o que, aliás, é outro problema com as alianças humanas: caem no esquecimento muito facilmente!


No Novo Testamento um dos textos mais significativos em relação ao uso deste termo, está na instituição da Santa Ceia, quando Jesus disse que faria uma “nova aliança” com seu povo, através do seu sangue. João Batista, que havia identificado a Jesus como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, anunciava esta aliança de sangue, que se cumpriria na sexta-feira da paixão, na Cruz do Calvário. Os sacrifícios de animais, que faziam parte da história do povo do Velho Testamento, agora deixariam de existir. A nova aliança seria definitiva. Como diz Paulo no texto de 2 Coríntios, nesta podemos colocar nossa confiança. E para que outros a conheçam e reconheçam esta nova possibilidade de se viver diante de Deus, ela tem que ser anunciada. Todos que crêem também se tornam ministros desta mensagem, testemunhas que anunciam que Deus nos aceita pela fé em Jesus Cristo, por graça e amor. 


Quem está disposto a fazer uma aliança comprometida com o Deus da vida, experimentará esta vida e dela será testemunha. Pessoas desconfiadas de tanto verem rompidas as alianças entre os seus semelhantes, podem agora colocar sua confiança em uma “união estável”, baseada no amor de Deus por nós. 



Sexta, 04 de junho de 2010 


“Levanta-te para socorrer-nos e resgata-nos por amor da tua benignidade” Salmo 44.26


“Vós sabeis que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” I Pedro 1.18,19


Na reflexão de ontem falamos sobre a angústia de alguém que tenta desesperadamente salvar-se em meio a correnteza sem ter quem lhe ajude. Como é bom quando alguém chega, pede que nos acalmemos e diz que tudo vai ficar bem.


Os textos de hoje são muito semelhantes. Ambos usam uma expressão muito forte: “resgatados”. Parece palavra para os dias de hoje, onde se pedem resgates em troca da vida daqueles que foram vítimas de seqüestros, relâmpagos ou não. O salmista ora de forma contundente, “levanta-te”. É como se ele dissesse: “Será que não estás vendo minha situação. Vais continuar aí sentado sem fazer nada?” É quando ele vê alguém que olha para ele com bondade e cria ânimo para pedir por socorro. Ele precisa ser resgatado, custe o que custar.
A expressão "a preço de ouro", se aplica bem à
obra salvadora de Jesus para com a humanidade


E por falar em preço do resgate, vejam a bela figura que Pedro usa para mostrar que Deus não nos quer deixar “sendo levados pela correnteza da vida, sem solução, sem possibilidade de mudança”. Se no mundo a nossa volta os resgates são definidos por valores “em ouro ou prata”, identificados aqui como “coisas corruptíveis”, quer dizer, que se deterioram e vão desaparecer, o preço de nosso resgate, para podermos sair da “natureza herdada de nossos antepassados”, é custo de sangue. Quando João batista chamou a Jesus de “O Cordeiro de Deus”, anunciava que ele sofreria e se tornaria um sacrifício vivo, a custo de sangue, para cumprir sua missão. É a figura que Pedro utiliza agora em sua carta, para que valorizemos o ser “nova criatura”, como Paulo diz em II Coríntios 5.17, “onde as coisas antigas já passaram e se fizeram novas”. E este Cordeiro foi “sem mácula”, quer dizer, não merecia o sofrimento, pois não tinha culpas a serem remidas. Nós porém as temos e precisamos ser resgatados desta forma natural, antiga e perigosa na qual vivemos. Não há prisão para a qual o sangue de Jesus na cruz não sirva de resgate. O preço já foi pago! 




Quinta, 03 de junho de 2010


“Não te distancies de mim, porque a tribulação está próxima, e não há quem me acuda” Salmo 22.11


Jesus Cristo diz: “No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” João 16.33


Pior do que passar uma situação difícil é não ter alguém a quem se possa recorrer em meio a ela. A solidão dói mais do que o sofrimento em si. Quantos se queixam exatamente disso. De não terem ninguém que os escute ou entenda. Mesmo numa cidade de milhares ou milhões.


A oração do salmista é um grito em busca de socorro: “Não te distancies de mim”. Lembro como era quando os filhos iam crescendo: engatinhar, caminhar, correr. A cada novo aprendizado, maior a distância. Até que eles sumiam e a gente tinha que sair correndo para procurar. O mesmo ser humano que depois vai clamar “não te distancies de mim”, nem quer Deus muito perto mesmo. É a idéia da vigilância que assusta. E não querendo estar sob este olhar, ele vai se distanciando, até se meter em apuros, como antevia o salmista: “a tribulação está próxima”. E já se imaginando em apuros, constata que “não há quem o acuda”. 

Para mim a imagem é a de alguém sendo levado pela correnteza das águas do rio sem ver alguém na margem que lhe possa jogar uma corda ou oferecer socorro. Que triste!


Mesmo para seus discípulos, Jesus nunca escondeu os riscos do chamado. Não prometeu “um mar de rosas”. Pelo contrário, “no mundo passais por aflições”, diz nosso texto de hoje. No capítulo seguinte de João (17) ele alerta os discípulos de que eles poderiam passar pelos mesmos sofrimentos pelos quais ele passara, inclusive rejeição, condenação e morte. Mas ao invés de assustá-los com esta perspectiva, ele os alenta: “Tende bom ânimo”. Ele queria que entendessem que assim como ele passou por tudo, lhes daria força para que passassem também. Ele pessoalmente venceria a morte com a vida, coisa que eles não entenderam naquela ocasião em que ele lhes falou do assunto. Assim, inclusive, acontece conosco. Muitas vezes, enquanto estamos no meio do sofrimento e tribulação, alguém vir e nos falar de “Calma. Você vai sair dessa”, parece impossível. Ainda estamos no desespero da pessoa que luta contra as águas na correnteza e tenta manter a cabeça “fora d’água” para não se afogar. 

Nesta situação ela irá se agarrar a primeira coisa que encontrar pela frente. E nessa atitude pode estar um perigo ainda maior. É importante que lhe seja estendida uma mão segura. Nosso testemunho de fé pode ser uma tábua de salvação para outros. Como diz o lema deste blog: “melhor falar do que calar”.



Quarta, 02 de junho de 2010


“O Senhor fará justiça ao seu povo e se compadecerá dos seus servos” Deuteronômio 32.36

“Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los” Lucas 18.7

A justiça sempre foi um sentimento muito forte no ser humano, desde o início da criação. O primeiro homem e a primeira mulher não acharam “justo” não poder tocar numa das árvores do jardim e foram expulsos de lá. Seu filho Caim não achou “justo” Deus ter aceito a oferta de seu irmão Abel, e o matou. Por toda a história bíblica o senso de justiça do ser humano é testado. E continua sendo assim até os dias de hoje. Quantas vezes o justo para um parece ser injusto para o outro. Tem Juiz que manda prender de manhã e outro manda soltar a tarde. O que é justo, afinal de contas? Sem falar do tal de “fazer justiça com as próprias mãos”.

Deus parece com um “justiceiro” no nosso primeiro texto. Mas não daquele que sai à caça do culpado ou “procurado”, como nos filmes de faroeste. Ele procura sim, mas em compaixão, para lhes fazer justiça. Assim sendo, não podemos concordar com aqueles que menosprezam os mandamentos ou regras de vivência e, quando questionados sobre o juízo de Deus, dizem que “Ele fecha um olho”, “não é bem assim” e coisas desse tipo. Deus é justo sim. Tão justo que ele paga o preço no lugar do culpado. Quando, porém, não aceitamos este pagamento e queremos colocar as coisas do nosso jeito, pesando no prato (aliás este é o símbolo da justiça), a balança sempre será “contra nós”.

O Novo Testamento nos confirma este equilibrado senso de justiça de Deus. Quem o escolhe também se torna seu escolhido. Quem o rejeita, também escolhe ser rejeitado e se expõe à condenação. Vamos usar uma ilustração da justiça brasileira atual. Crimes cometidos de forma involuntária, como no trânsito ou no não pagamento de pensão alimentícia, por exemplo, podem ser transformados em serviço social ao invés de prisão. Mas o “condenado”, pode dizer que não quer se expor, por que todos vão ficar sabendo que ele está pagando uma pena onde foi considerado culpado. Ao rejeitar esta forma ele automaticamente escolhe a outra, que é a reclusão. Não quer se expor, fica na cadeia. No texto de Lucas uma viúva insistia que um Juiz malvado, sem respeito aos outros, julgasse sua causa. Mas até este homem “amoleceu” seu coração e atendeu a viúva, por sua insistência. Assim quem busca a Deus e quer viver à Sua maneira, será atendido. E com justiça. Pode até parecer demorado (mais que a justiça brasileira). Mas “Deus fará justiça aos seus escolhidos”. Por que fazê-la, então, com as próprias mãos?



Terça, 01 de junho de 2010


“Acautela-te e aquieta-te; não temas, nem se desanime o teu coração” Isaías 7.4



“Sede vigilantes, permanecei firmes na fé, portai-vos varonilmente, fortalecei-vos” I Coríntios 16.13

Nossa vida muitas vezes é marcada por contrastes e por extremos que se avizinham onde podemos passar de extrema euforia para uma profunda tristeza, de um momento de paixão há um acesso de raiva. Altos e baixos. Quase que num mesmo instante.

Pois se nós olharmos com calma os dois versículos lemas deste 1º de junho (lá se foi mais um mês), também veremos estes contrastes em conselhos que vão da calma e tranqüilidade à firmeza, varonilidade e força. Seriam assim tão opostos estes sentimentos? Parece que não. Pelo contrário, são complementares. Muitas vezes o ânimo, quando nosso coração está desanimado, só volta quando, como diz Isaías, “nos acautelamos e aquietamos”. Tomar cautela é um bom conselho, sem dúvida alguma. Quem sabe nós mesmos já experimentamos que a “pressa é inimiga da perfeição”. A cautela nos faz pensar, refletir, medir as conseqüências e, enquanto este processo se desenvolve, talvez recuperemos a calma e retomemos o ânimo para seguir adiante.

Depois disto então, ficamos espertos, “vigilantes” como diz o conselho do apóstolo Paulo. Esta vigilância nos ajudará a permanecermos de pé, mesmo diante das maiores dificuldades, não perdendo a fé, pelo contrário, de forma “varonil” (palavra de comando), recuperando as forças. Este é um processo que provavelmente, de maneiras diferentes, todos nós já experimentamos, com maior ou menor intensidade. Quem já não desanimou? Quem já não vacilou na fé? Quem já não descuidou por falta de vigilância? Quem já não perdeu a paciência ou a calma? E quando isso aconteceu precisamos experimentar o processo inverso. Como disse alguém: “O risco de ficar com raiva é ter que ficar bom de novo”, pois ninguém quer ficar assim a vida toda.

Ontem recebi alguns “conselhos e verdades sobre a vida”. Acho que alguns deles ilustram muito bem o que os dois textos bíblicos de hoje nos trazem. Vejamos:

"Quanto MENOR é o CORAÇÃO, MAIS ÓDIO carrega"



"Livre-se do ÓDIO e da AMARGURA. Eles provocam MUITOS DANOS A VOCÊ"



"O PESSIMISTA nunca ganhou qualquer BATALHA"



"LUTE até o fim. Não desista no meio do caminho"



“A cada passo que você dá COM FÉ chega mais perto da VITÓRIA"



"Não diga a DEUS que você tem um GRANDE PROBLEMA. Diga ao seu problema que você tem um GRANDE DEUS"