9 de agosto de 2012

Bastos diz que "o chefe oculto!"Lula ligou para saber sobre julgamento do mensalão


Segundo advogado, ex-presidente queria informações do 'background'.
No governo Lula, Bastos foi ministro da Justiça, na época do escândalo.

O ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, no plenário do STF durante julgamento do mensalão (Foto: Fábio Rodrilgues Pozzebom/ABr)O ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, no
plenário do STF durante julgamento do mensalão
(Foto: Fábio Rodrilgues Pozzebom/ABr)





O ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, atualmente advogado de um dos réus do mensalão, relatou ao G1 que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para ele na semana passada para saber sobre o julgamento do mensalão. Segundo Bastos, que fazia parte do governo Lula quando o escândalo veio à tona, o ex-presidente quis saber sobre os bastidores do julgamento.

"Ele [Lula] me ligou para saber como estava o ‘background’ do julgamento", comentou. Bastos não precisou a data da ligação, mas teria ocorrido após o início do julgamento, na última quinta (2). O advogado não quis detalhar sua conversa com o ex-presidente.

No primeiro dia de julgamento, Lula disse que não acompanharia as sessões do STF pela televisão. Questionado sobre o motivo, deu uma resposta curta: "Porque estou trabalhando".

Bastos comandou a pasta da Justiça entre janeiro de 2003 e março de 2007 e atuava também como conselheiro de Lula sobre o Poder Judiciário. O escândalo do mensalão veio à tona em 2005.
Defesa
Bastos subiu à tribuna do STF nesta quarta (8) para defender o ex-vice-presidente do Banco Rural José Roberto Salgado, acusado de ter autorizado empréstimos "fictícios" de R$ 32 milhões, segundo a denúncia do Ministério Público, para Marcos Valério. Os recursos serviriam para ocultar recursos públicos, usados para comprar apoio político no Congresso no início do mandato de Lula.

A Procuradoria-Geral da República sustenta ainda que os empréstimos foram feitos sob condições favoráveis, sem expectativa de pagamento. O objetivo do banco seria obter benefícios junto ao governo, como lucrar na liquidação do Banco Mercantil.

Na defesa, Bastos disse que a tese da acusação é uma "construção mental". "Os empréstimos foram religiosamente pagos, rigorosamente saldados", relatou. Sobre o suposto lucro de R$ 1 bilhão que o Rural teria com a transação, Bastos afirmou tratar-se de algo "absolutamente desprovido de senso".

Leitura de votos
Ainda no intervalo da sessão desta quarta, Bastos disse que parte dos defensores dos réus exigirão que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) leiam a íntegra de seus votos.

Segundo o jornal ‘"Folha de S.Paulo’", alguns ministros cogitaram a possibilidade de o relator da ação, Joaquim Barbosa, resumir seu voto de mais de mil páginas para evitar que o ministro Cezar Peluso se aposente compulsoriamente sem proferir seu voto. Peluso terá de deixar a Corte até o dia 3 de setembro, quando completa 70 anos, idade-limite para magistrados do STF.
"Não pode [resumir voto], você tem de ler inteiro. Se resumir, a pessoa não entende. Tem que saber não só como ele (ministro) vota, mas por que vota assim", enfatizou Bastos, logo após apresentar sua sustentação oral na Suprema Corte.
O ex-ministro da Justiça ressaltou que as defesas dos acusados de envolvimento no suposto esquema de compra de votos deverão apresentar questões de ordem no plenário, caso identifiquem que o magistrado leu uma versão resumida de seu voto.

Atraso
Decano dos advogados envolvidos no processo do mensalão, Bastos ofereceu uma questão de ordem no primeiro dia de análise do caso. A tática acabou atrasando em um dia o cronograma do julgamento.

Na terça-feira (7), o defensor articulou com o colega José Carlos Dias, advogado da ex-presidente do Banco Rural Kátia Abreu, um questionamento sobre a ausência da ministra Cármen Lúcia na etapa final da sessão.

Na ocasião, a magistrada não retornou do intervalo por conta de compromissos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os ministros do STF, no entanto, rejeitaram a questão de ordem, alegando que havia quórum para dar continuidade aos trabalhos.

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